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27/12/2009 14:48 AMOR, ESTRANHO AMOR
Acordei sentindo uma sensação estranha. O mal estar perdurou até que eu tomasse conhecimento do que me fazia mal: era ela, ou melhor, a ausência dela. Dessa vez eu tinha certeza de que ela havia me deixado de vez. Eu soube nos seus olhos castanhos e profundos que nunca mais eu sentiria seu perfume, nunca mais tocaria suas mãos delicadas, nunca mais veria aquele sorriso brilhar para mim de novo. Culpa minha, assumo. Eu faço parte daquela parcela (grande) dos homens que não conseguem se estabilizar em um relacionamento. E ela me avisou, uma, duas, dez vezes. Enfim, essa é uma história comum, de um cara comum, que amou uma mulher incomum. Sinto falta dela, do jeito como me olhava, como tocava meus cabelos e como soltava os seus sobre os ombros nus quando ficávamos juntos na cama...melhor nem pensar, como fui otário!
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Não consigo dormir. Essa sensação de liberdade me incomoda. Como posso me sentir tão livre se o amo(amei?) tanto! Sinto-me culpada por me sentir aliviada pelo fim desse namoro. Mas na minha cabeça, uma idéia me persegue: haverá um outro que vai me amar. Será?
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Eu tenho certeza que ela vai encontrar um outro cara logo. Tenho certeza. A Marina é assim, ela atrai as pessoas, homens, mulheres, crianças, cachorros, gatos...Lembro dela deitada na fazenda, seu cabelo escorrendo pela cama...e ao seu redor, todos os gatos da fazenda, atraídos por alguma coisa inexplicável que ela tinha. Com os homens também é assim, há sempre homens a segui-la. Os amigos que eu odeio, os ex-namorados, que eu também odeio, os desconhecidos que perseguem ela, que eu odeio mais ainda...eu não sou ciumento, mas odeio qualquer um que se aproxime dela mais do que o necessário. Eu sei, eu sei, eu sou um hipócrita. Tudo que eu fiz e que machucou ela. Eu mereço ser um chifrudo crônico, mas simplesmente, não dá, eu não curto esse negócio de dividir, isso não é coisa de homem de verdade! Eu fiz, eu fiz, eu sei, mas ela não pode! Onde será que ela está agora? Qual a possibilidade de já ter encontrado um outro cara? Ai...
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Essa semana eu me senti um pouco só. Atormentada. O que não deixa de ser contraditório já que o telefone nunca pára de tocar, principalmente quando é fim de semana e há tantos convites para sair. Mas não sinto vontade de sair com outro. Às vezes eu fecho os olhos e sinto o cheiro dele no meu travesseiro. Dá uma vontade imensa de chorar, mas foi ele que quis assim, foi ele que escolheu esse caminho.
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Se eu pudesse descobrir que lugares ela anda freqüentando, já que ela deixou de ir no barzinho de sempre...eu só queria vê-la para ter certeza de que acabou, de que ela está certa, eu não sirvo pra ela, eu sou um fracasso no amor e devo assumir a minha vida de solteiro convicto e infiel...palavras dela...mas sabe, o contraditório nessa porra de vida é que depois que ela me deixou eu ando sem vontade de sair com outras...justo agora que eu estou sem ela. Mas tudo bem, se encontrá-la seria para dizer um oi e deixar ela seguir sua vida...
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Ele deve estar que nem cachorro, solto por aí atrás dessas vira-latas que ele gosta de sair. Sinto sua falta, mas tenho certeza que eu e ele estamos bem melhores separados. Finalmente encontrei um cara muito promissor. Lindo, educado, perfumado (hummm) e potencialmente um homem bom, daqueles que a gente nem imagina que existe ainda. Foi de repente. Conheci-o através de uma amiga. Os cabelos cacheados, o sorriso doce, a mão forte e muito seguro. Tenho certeza que ele é muito mais homem que aquele m...Desde que nos conhecemos ele só me faz rir e me sentir especial...ah, e que olhos...esta noite vamos jantar num restaurante que conheço, ele vai amar, eu sei!!!
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Que estranho, desde que entrei senti o perfume dela aqui...não, porra, é ela ali...que merda é essa, quem é esse vagabundo com ela? Ah eu vou lá...
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Meu Deus, é ele, vindo pra cá. Ai que vergonha, vai fazer barraco!!!
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- Com licença, tudo bem meu amor? Acho que você se enganou de mesa, porque seu lugar é ao meu lado e não do lado desse babaca.
- Pára! Que vergonha! Nós não temos mais nada, faz quase um mês que terminamos.
-Seguinte vagabundo, vaza senão o bicho vai pegar pro teu lado.
-...!!!
-Não, não vai, fica aí, ele é meu ex, ele surtou, teve um surto...eu não tenho mais nada com ele, eu juro!
-...!!!
-Vai, vai, senão te dou uma surra.
--...!!!
- Ah que vergonha eu vou te matar seu louco, alucinado, bandido, traidor, marginal!
-Ai que saudade desses xingamentos, vem cá minha oncinha!
-Pára seu louco eu te odeio! Tira a mão de mim, está todo mundo olhando!
-Não tiro...
-Tá bom, não tira...ai [suspiro]!
-Eu te amo.
-Eu também!
...
Kalynka Cruz | Deixe sua loucura aqui (0)
08/11/2009 00:07 ... Se dói, se machuca, porque suporto essa insuportável realidade de amar e não ser amada, de esperar todos os dias que teus olhos brilhem diferentes para mim, como se fosse eu a escolhida? Se eu sei, no fundo do meu coração que assim não será? Se cada vez que pronuncias o outro nome, se cada vez que telefonas fica visível a verdade que só eu não consigo ver: que jamais serás meu e jamais vais me querer.
Falta-me coragem para assumir essa verdade, porque ela representa tristeza imensa, dor, imensidão...no meu coração cansado e derrotado. A uma mulher essa é a pior derrota, a derrota do amor incapaz de sensibilizar e alcalçar ao outro.
A metáfora para esse amor é a do afogamento. Estar no fundo de um oceano de mentiras, traição, enganos, maldades disfarçadas e mesmo sabendo nadar não ter vontade nem força de emergir, sendo condenada por isso a morrer afogada. Para mim esse morrer significa desistir, mais uma vez, do sonho de amar e sobretudo, ser amada com tranquilidade e respeito.
E repito: eu falo e você não ouve, eu choro e você não vê, eu parto e você não nota, que me afasto de você.
Quando nasci um anjo me disse, que com tantas virtudes e sorte, uma só não poderia me conceder: ser amada até a morte. E por isso sigo meu destino de viver o amor em instantes, mas contudo, obstante ve-lo rapidamente fenecer.
Kalynka Kalynka Cruz | Deixe sua loucura aqui (0)
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